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O caminho da quaresma Mc 1,12-15. 26-02-09
| ESPIRITUALIDADE
No nosso caminho de conversão, porque a conversão é um caminho, uma atitude, e não um ato isolado, convém que respondamos três perguntas: Para onde vou? Onde estou? Quais passos posso dar?

Evangelho: Mc 1,12-15
E logo o Espírito o impeliu para o deserto. Aí esteve quarenta dias. Foi tentado pelo demônio e esteve em companhia dos animais selvagens. E os anjos o serviam. Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galileia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia: "Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho".

Fruto: Voltar minha vida para a vontade de Deus.

Pontos para a reflexão:
Na quarta-feira de cinzas, a Igreja nos convida a participar de modo especial na Santa Missa, e a receber a imposição das cinzas. Neste rito tão cheio de significado, o sacerdote nos recorda a palavra de Cristo que acabamos de escutar: Converte-te e creia no Evangelho. Temos refletido muitas vezes nesta conversão, mas se a Igreja nos convida sem cansaço a nos convertermos, deve existir algo importante por trás desta atitude. No nosso caminho de conversão, porque a conversão é um caminho, uma atitude, e não um ato isolado, convém que respondamos três perguntas: Para onde vou? Onde estou? Quais passos posso dar?

1. Para onde vou?
Jorge Manrique, autor espanhol do século XIV, escreveu que nossas vidas são como rios: “Partimos quando nascemos, / andamos enquanto vivemos / e chegamos / no tempo que falecemos”. Nossa vida, também nossa vida espiritual, é um caminho em direção a Deus, que nos dará o abraço definitivo no dia da morte. Mas nós que escolhemos o caminho, os que tomamos agora este desvio para a esquerda, e mais adiante viramos à direita. O principal para chegar ao nosso destino, ainda que pareça de Perogrullo, é saber para onde vamos. Se saímos um final de semana para descansar, antes de sair decidimos nosso destino: a serra de Orizaba, ou a cidade mais ao sul do Chile. No caminho da nossa vida acontece o mesmo, e o texto que estamos considerando nos diz claramente qual é o nosso destino: crer no Evangelho, ou seja, viver de acordo com o Evangelho, segundo seus ensinamentos e critérios, resumidos no mandamento novo do amor: “Vos dou um mandamento novo, que ameis uns aos outros como eu os tenho amado”.

2. Onde estou?
Conhecemos o destino e talvez nosso melhor primeiro passo na conversão seja mudar o destino, colocar como objetivo na minha vida agir segundo o evangelho e não de acordo com meu egoísmo, minha comodidade... Mas também é muito importante, neste caminho de conversão, saber onde estou. Meu ponto de partida, em uma viagem, condiciona o caminho que devo seguir. É diferente chegar a um destino se estou ao Norte ou ao Sul desta cidade. Com que atitude diante de Deus me encontro nestes momentos? Posso ter claro o objetivo, o destino da minha vida, mas me encontro com uma atitude de repouso total; não tenho vontade de me movimentar em direção a este fim, pois vejo o caminho árduo e custoso. Talvez minha atitude é de pessimista, que vê o fim muito longe, o vaso sempre está meio vazio, e não encontra forças para começar a caminhar. Ou talvez minha atitude seja do caminhante, que tem vontade de chegar ao seu destino, e caminha, uns dias com mais ânimo que outros, algumas vezes com mais lutas do que outras. Onde estou?

3. Quais passos posso dar?
E chegamos à parte mais importante. Não adianta muito para um escalador ter claro o pico que quer escalar, conhecer perfeitamente sua localização em um mapa detalhado, se fica sentado em sua casa, contemplando o mapa que tem estendido na meta. Uma vez que sabemos onde queremos chegar e de onde partimos, temos que nos levantar e começar a caminhar, sem pressa mas sem pausa. Temos que dar passos concretos, ainda que sejam pequenos, na direção do nosso destino. Apliquemos estas simples idéias na vivência da Quaresma: a Igreja nos ensina que a vida, e especialmente a Quaresma, é uma peregrinação, um caminho. Pensemos qual objetivo queremos alcançar, a que destino queremos chegar ao final destes 40 dias: ser mais caridoso em casa, obedecer melhor meus pais, tratar com mais carinhos meus filhos... Vejamos depois onde estamos, e que passos concretos temos que dar para chegar à nossa meta.

Propósito: Em um tempo de oração, oferecerei a Deus um trabalho concreto durante esta Quaresma.


DATA DE PUBLICAÇÃO: 2009-02-26


 
 


 



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