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Pe. Álvaro Corcuera: "Na Igreja e para a Igreja"
| REGNUM CHRISTI | ESPIRITUALIDADE
Carta para Cristo Rei 2009: "A Igreja é um dos amores fundamentais do membro do Movimento"

Cristo Rey 2009
O Manual do Membro do Regnum Christi diz que a única razão de ser do Movimento “consiste em servir a Igreja e seus Pastores e, da Igreja e a partir da missão sobrenatural e humana da Igreja, servir os homens” (cf. n. 11)

O Pe. Álvaro Corcuera, LC, diretor geral da Legião de Cristo e do Regnum Christi, nos apresenta a seguinte carta com motivo da solenidade litúrgica de Cristo Rei, data na qual o Movimento também celebra o dia do Regnum Christi.

A carta original em espanhol, no formato pdf, pode ser descarregado neste link.

*****

Venha a nós o vosso Reino!

Roma, 20 de novembro de 2009



Aos membros e amigos do Regnum Christi

por ocasião da solenidade de Cristo Rei



Muito estimados em Jesus Cristo:

            Como já é tradição no Regnum Christi, aproveito esta oportunidade para estar presente entre vocês e suas famílias nesta solenidade, na qual buscamos proclamar que Cristo é verdadeiramente Rei das nossas vidas e dos nossos lares. É belíssimo ver, em cada lugar, com quanta generosidade cada um de vocês se entrega à missão de fazer este Reino de Cristo crescer.

            Frequentemente, repetimos diante de Deus, do fundo do coração, a invocação “Venha a nós o vosso Reino!”. Pedimos isso porque sabemos que é um dom de Deus, mais que um objetivo que podemos alcançar com nossas próprias forças; é algo que nos supera. Mas também somos conscientes de que Ele quis contar com
Cristo Rey 2009
a nossa colaboração e que formou sua Igreja, semente e começo do seu Reino na terra, como instrumento e caminho para satisfazer esse desejo do seu amor (cf. Lumen gentium, n. 5; Catecismo da Igreja Católica, n. 768s). É neste marco que nossa existência e nossa missão têm sentido como membros do Regnum Christi.

            O reinado de Cristo não é uma realidade abstrata ou que está nas nuvens. João Paulo II dizia que “a Igreja está efetiva e concretamente ao serviço do Reino. Em primeiro lugar, serve-o com o anúncio que chama à conversão: este é o primeiro e fundamental serviço à vinda do Reino para cada pessoa e para a sociedade humana” (Redemptoris missio, n. 20). Se Cristo está nos convidando para instaurar seu Reino nesta terra, podemos nos perguntar onde e como temos de fazê-lo. Já sabemos que o lugar pelo qual devemos começar é nossa própria vida: conseguir que Cristo reine no nosso coração; afinal de contas, este Reino é o próprio Cristo que se torna presente no meio dos homens. Não é algo que nós fazemos, mas uma realidade já presente à qual nos abrimos.

            Mas o senhorio de Cristo não deve ser reduzido ao nosso coração. Nós, cristãos, estamos chamados a ser verdadeiras tochas do amor de Cristo, que transmitam a cada ser humano a luz da fé e da esperança que Ele nos deu. “Instaurar o Reino de Cristo”, portanto, deve significar, para cada um de nós, ajudar os que estão ao nosso lado a que se abram a Cristo e deixem sua graça agir. O melhor apostolado consistirá em imitá-lo e permitir que Ele tome possessão de nossos pensamentos, palavras e atos. Precisamos pedir o dom de ver todos os acontecimentos a partir d’Ele e de falar sempre com suas palavras, como nos ensina São Paulo: “Que vossas palavras sejam boas, construtivas e oportunas” (Ef 4, 29); que todos os nossos atos sejam gotas de amor que encham o próximo de paz: “Sede bondosos e compassivos uns com os outros, perdoando-vos mutuamente, como Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4, 32); que sejamos instrumentos do amor de Deus aos homens, porque “Deus é amor” (1 Jo 4, 8).

            Queremos viver esta data com espírito de reparação e de humildade, unidos a Cristo Rei, que é rico em misericórdia. Quero aproveitar esta carta para pedir novamente sincero
Ordenaciones Sacerdotales 2006
"Convido-os para que neste ano sacerdotal, cada membro do Regnum Christi se destaque pelo seu senso de Igreja".
perdão a todas as pessoas que sofreram ou estão sofrendo pelos fatos tão dolorosos que vivemos. Deus nos convida a viver este período intensificando a vida de oração, os atos de caridade e o espírito de penitência, para unir-nos mais a Jesus Cristo e aos nossos irmãos.

            O Manual do Membro do Regnum Christi diz que a única razão de ser do Movimento consiste em servir a Igreja e seus Pastores e, da Igreja e a partir da missão sobrenatural e humana da Igreja, servir os homens” (cf. n. 11). E mais adiante nos recorda: “Nosso serviço à Igreja e à sociedade consiste em formar apóstolos que construam a civilização da justiça e do amor cristãos” (cf. n. 42). Toda a nossa vida, todas as nossas atividades, todos os nossos apostolados devem estar orientados a este serviço. Se perdemos de vista este aspecto, estamos perdendo a orientação fundamental que o Movimento Regnum Christi deve ter.

           Queremos continuar e contemplar, agradecidos, a ação de Cristo na Igreja. São João Eudes escrevia: “Por isso, São Paulo diz que Cristo chega à sua plenitude na Igreja e que todos nós contribuímos para sua edificação e à medida de Cristo em sua plenitude” (Do tratado de São João Eudes sobre o Reino de Jesus. Parte 3, 4: Opera omnia 1). Dessa maneira, vamos completando em nossa carne o que falta à Paixão de Cristo em seu corpo, que é a Igreja.

           A Igreja, corpo místico de Cristo, é um dos amores fundamentais do membro do Movimento (cf. MMRC, n. 79-87). Este amor deriva do nosso amor a Cristo. Se, como diz São Paulo, “Cristo amou a Igreja e se entregou por Ela” (Ef 5, 25), também nós estamos chamados a professar e testemunhar, com nosso agir, um amor semelhante por ela. Graças a Deus, a Legião de Cristo e o Movimento atualmente já podem oferecer muitas atividades e apostolados que buscam servir nossa Mãe, mas seus membros se esforçam, sobretudo, por servi-la com seu próprio testemunho, seu tempo e seu talento de forma desinteressada. Sabemos que em todo momento somos instrumentos, canais, pontes para que os demais cheguem a Ele. Deus nos convida a segui-lo pelo caminho da humildade e da pureza de intenção, imitando, com sua graça, o testemunho de São João Batista:
Cristo Rey 2009
“É preciso que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3, 30).

           Eu os convido a que, neste ano sacerdotal, cada membro do Regnum Christi se destaque pelo seu senso de Igreja. Poderíamos dizer que aqui encontramos nossa definição como cristãos comprometidos ao serviço de Cristo. Quanto bem podemos realizar colocando todo o nosso empenho e iniciativa apostólica ao serviço da comunidade eclesial inteira, de acordo com as diretrizes dos bispos e párocos (cf. MMRC n. 83 e 443).

           Que todos os nossos esforços estejam orientados à transformação dos corações; a que as almas voltem a Cristo e ao seu Corpo Místico por meio dos sacramentos. É por isso que o membro do Movimento se entrega à Igreja e seu apostolado deve consistir em construí-la para que possa abraçar mais pessoas: “Pela Igreja e na Igreja recebemos a fé em Cristo, os sacramentos que nos comunicam a graça e a plena verdade sobre Deus e sobre seus desígnios de salvação. O próprio Cristo se entrega a nós por meio da Igreja” (MMRC n. 152).

           O fundamental é, sem dúvida, uma ilimitada confiança em Deus diante de uma missão tão grande e tão bela. Não estamos sozinhos. Dá muita esperança ler as palavras que Deus dirigiu diversas vezes aos seus escolhidos e enviados para preparar seu Reino; saber que Deus está conosco, como esteve com Abraão (Gn 21, 22), com Isaac (Gn 26, 24), com Jacó (Gn 28, 15), com Moisés (Êx 3, 12), com Josué (Jos 1, 5), com Gedeão (Jz 6, 16). Assim assegurou também ao rei Davi (1 Rs 11, 38), ao profeta Isaías (Is 41, 10), a Jeremias (Jr 1, 8). Todos eles eram homens, conscientes das suas próprias limitações e da sua condição humana. No entanto, souberam abrir seu coração à ação de Deus. Receberam uma vocação que, humanamente falando, os superava, e procederam sempre com a segurança de que tudo provinha de Deus. Assim também nós descobrimos que Cristo é o Amigo fiel das nossas almas. Ele nos acompanha sempre e nos dirige, como palavra viva, a promessa que fez aos seus apóstolos após sua Ressurreição: “Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28, 20).

           Não estamos sozinhos, porque Ele nunca nos deixa. Não estamos sozinhos porque o Regnum Christi não é uma realidade isolada. Somos parte da grande família de Deus, na qual a variedade e beleza destes caminhos nos enriquece e nos estimula. Nosso Movimento é somente uma das muitas realidades que Deus suscitou na Igreja, como caminho que nos ajuda a
Encuentro de Movimientos con el Papa
viver nosso compromisso batismal. E assim como valorizamos muito e agradecemos a Deus pela riqueza do carisma que Ele nos deu para colocar ao serviço da Igreja, apreciamos também, como um dom de Deus, as demais forças vivas da Igreja, nas quais contemplamos tão claramente a ação contínua do Espírito Santo. Não estamos sozinhos, porque contamos com a guia dos nossos pastores, os bispos, que são verdadeiros pais que Cristo nos dá, como sucessores dos seus apóstolos, para ensinar-nos, governar-nos e santificar-nos. Não estamos sozinhos porque temos o exemplo e a ajuda de muitos sacerdotes santos e o testemunho de muitos irmãos na fé, com quem formamos a comunidade dos crentes.

          Continuemos rezando uns pelos outros, para que vivamos cada dia amando mais nossa Igreja Católica e todas as pessoas que constituem seu corpo. Obrigado, de coração, pela sua entrega generosa e desinteressada ao serviço do Reino de Cristo; tenho certeza de que Deus não é indiferente ao que todos vocês fazem cada dia por anunciar o Evangelho. Neste dia de Cristo Rei, nós nos confiamos também, de modo especial, a Maria, espelho da Igreja, para que, contemplando-a, compreendamos a grandeza da nossa vocação. Que, como em Caná, nossa vida consista em “fazer o que Ele nos disser” (cf. Jo 2, 5).

        Despeço-me em Cristo, 

Pe. Álvaro Corcuera, LC


DATA DE PUBLICAÇÃO: 2009-11-22


 
 


 



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