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| P. Olaf Oceguera González, L.C. (México) | |
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Sou
o terceiro filho de cinco homens. Meu nome é Olaf
não porque tenha raízes norueguesas, mas porque meu pai deu
a cada um dos seus cinco filhos um nome que
começa com uma vogal diferente. O mais velho chama-se Edgar.
Meu pai começou com a vogal “e” porque ele já
tinha a vogal “a”, chama-se José Angel. Eu acho que
meus pais pensavam ter quatro filhos, mas depois Deus se
encarregou de completar as cinco vogais. Depois vem Igor, Olaf,
Uriel e Anuar. Entre o primeiro e o último há
uma diferença de 8 anos. Ter idades tão próximas permitiu-nos
poder conviver muito durante nossa infância e adolescência. Além disso,
compartilhávamos muitas coisas como roupa, brinquedos, livros, sapatos...
Basquete, música e muitas
atividades
Até os 11 anos nunca pensei em ser sacerdote. Não era coroinha, nem gostava de rezar
ou ir à missa. Éramos uma família católica praticante. Assistíamos
a missa dominical e recebíamos a bênção à noite antes
de dormir ou de viajar. Lembro que queria ser astronauta,
astrônomo, arqueólogo, cantor. De fato, compunha canções e começamos a
formar um grupo com alguns dos meus irmãos, primos, primas.
Tive uma infância cheia de atividades, travessuras, esportes, amigos. Mesmo
tendo uma relação de amizade com meus irmãos, meus dois
irmãos mais velhos sempre estiveram no mesmo curso da escola;
os dois menores também conviviam muito. Como eu era o
do meio, tinha que organizar minha vida quase independentemente. Gostava
de andar de bicicleta ou de patinete com os amigos.
Entrei para um time de futebol que se chamava “Seção
80”. Também era o capitão do
time de basquete da escola. Participava também de um grupo
de dança folclórica. Tentava ser responsável com minhas tarefas e
aulas. Ajudei também meu avô na mercearia. Eu era o
seu homem de confiança e muitas vezes ficava sozinho no
atendimento. Abria e fechava a loja, e ali meus amigos
vinham frequentemente para conversar e jogar. Na escola muitas vezes
me chamavam para declamar e dava as ordens na escolta
do colégio.
O garoto da bicicleta
A vocação é dada por Deus de toda a
eternidade. Mas, são muito originais as formas como alguém começa
a descobrir este chamado. Minha história não se trata de
uma conversão radical de vida. Tenho que admitir que quando
realmente me dei conta do que estava acontecendo eu já
estava dentro, no caminho da vocação sacerdotal. Havia feito a
preparação para a primeira comunhão e a confirmação com o
fervor típico de um menino. Da minha primeira comunhão lembro
da comida que tivemos depois da missa e minha madrinha
me deu um gato pequeno e um estojo cheio de
moedas de 200 pesos ( aquelas que tinham as imagens
do mundial de 86); e da minha confirmação lembro que
meu padrinho não pode vir à missa e foi meu
irmão mais velho quem presenteou o bispo. Não lembro de
mais nada.
A
primeira faísca vocacional saltou num domingo pela manhã. Era junho
de 1990. Caminhava pela rua com duas tias. Entre as
pessoas e a rua saiu um menino de bicicleta. Parou
para cumprimentar uma das minhas tias. Conheci aquele menino quando
estava no quinto ano do ensino fundamental na equipe de
futebol “Seção 80”. Era um excelente
jogador. Quando passei de ano já não o vi mais.
Ao se despedir disse a minha tia que aquele menino
era antipático. Minha tia disse: “Não pode dizer isso. Ele
é um seminarista.” Pensei que se fosse seminarista não tinha
que “ir com a cara” dos outros. Deveria ser algo
especial ser seminarista. Sabia que meu pai também fora seminarista.
Inclusive nos levou ao seminário em Montezuma, Novo México, onde
ficou. Mas, não nunca havia pensado que alguém fosse especial
pelo fato de ser seminarista.
Quero ir para o seminário!
Neste domingo à noite fomos à missa em família. Não sei se ao entrar
na igreja havia algum cartaz de promoção do seminário ou
se na homilia o padre falou sobre isso. Quando saímos
da missa e entramos no carro eu disse em voz
alta: “Gostaria de conhecer um seminário”. Lembro que meus pais
olharam para mim. Um dos meus irmãos sorriu e disse
que sim, que eu seria padre, porque não! E continuaram
a dar mais risadas.
Essa noite antes de dormir
minha mãe me perguntou o que eu tinha. Disse a
ela que queria sim conhecer o seminário. Ela me disse:
“durma e amanhã conversaremos”. A ideia continuava batendo em minha
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| O Pe. Olaf com uma equipe de jovens do ECYD de Roma durante uma peregrinação à Basílica de São Pedro. | |
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mente. Pensava como seria um seminário. Eu comecei a comentar
com amigos e parentes. Em alguns dias fiquei sabendo que
alguns meninos que conhecia iam para um seminário no México.
Contei para meu pai e fomos falar com os pais
de um deles. Tudo isto aconteceu nos últimos dias de
junho. Os meninos que iam para o seminário sairiam no
dia 31 de junho à noite para amanhecer na cidade
do México no dia 1 de julho. Explicaram-me o que
era um seminário, o que faziam, como se divertiam e
estudavam. E eu disse que sim, que ia com eles.
Meus pais conseguiram a roupa para mim e as coisas
que iria precisar. Disseram-me que ficaria ali por um mês
e meio e depois voltaria para casa. Para mim estava
excelente: ficaria lá durante o verão e depois voltava para
começar o segundo grau, pois já estava matriculado.
Para
mim o segundo grau era toda uma expectativa. Meus irmãos
mais velhos me fizeram ver que entrar para o segundo
grau significava: poder ia às discotecas, aprender a dirigir, poder
ter namorada, celebrar o dia do estudante atirando bolas de
água nos ônibus públicos, etc. Grandes emoções! Durante a festa
de encerramento do ano disse aos meus amigos que ia
para o seminário durante o verão.
Lágrimas na fé
Chegou o
dia de partir. Apenas lembro que meus pais não tinham
a menor ideia de quem eram os Legionários de Cristo.
Por isso, minha mãe nos levou de ônibus para conhecer
os padres e ver o seminário. Despedi-me da minha família
e chorei como se estivesse indo para sempre. Ao chegar
ao centro vocacional cumprimentamos os padres e lembro que fiquei
impressionado de ver padres tão jovens. Eu nunca tinha conhecido
nenhum legionário. E depois chegou a hora de despedir da
minha mãe e de outra mãe de um dos meninos
que vinha. Outra vez um mar de lágrimas. Pouco a
pouco foram chegando os outros meninos que vinham de todos
os cantos da república para participar desse curso de verão.
Aqui abro um
parênteses para admirar a fé e a fortaleza que Deus
concedeu a meus pais e aos pais de família em
geral para que, quase às escuras, permitem seus filhos empreender
um caminho desconhecido, longe de casa. Agora vejo meninos de
onze anos e eu digo, “assim estava eu quando sai
de casa?” Quanto agradeço meus pais e irmãos pelo apoio
sincero, sacrifício e dor! Porque não é algo que se
entende com facilidade, da mesma forma que se entende quando
um filho sai de casa para buscar trabalho, ou para
casar quando já é mais velho.
No final do
verão não voltei para casa como previsto. Gostei muito do
ambiente do seminário. Fiz amizade com muitos meninos, praticava muito
esporte, estudava com alegria. Sentia-me muito bem.
Em apuros com minha vocação
Assim iniciei o segundo grau no seminário menor.
Foi do segundo ano que lembro com mais intensidade. Logo
me senti um jovem maduro, com toda a energia do
mundo, disposto a aproveitar minha vida por completo, cheio de
esperança e de qualidades para triunfar na vida. Voltei a
pensar que poderia se cantor de um grupo de rock,
ator, jogador de basquete da NBA, ter uma namorada lindíssima...
o que fazia eu fechado em um seminário? Quando ia
para minha casa encontrava com meus amigos e amigas, praticamente
todos com namoradas, dirigindo, indo para as discotecas, de festa
em festa, fumando... e eu? No seminário!
Eu sabia que Deus me queria
sacerdote, mas como poderia estar cem por cento seguro disto?
Se nesse momento me diziam que essa não era minha
vocação, eu fui para casa extremamente feliz, mas sentia que
não podia dizer isto. Lembro que um dia ao voltar
do colégio fui fazer uma visita a Jesus Cristo na
Eucaristia, disse-lhe que se algum dia alguém me dissesse que
essa não era minha vocação, então que me dissessem agora
e eu iria feliz.
Contudo, ao terminar meus
estudos entrei para o noviciado em Monterrey com muita confiança.
Estava convencido da minha vocação legionária. A única coisa que
queria era ser sacerdote para salvar muitas almas, para pregar
Cristo por todas as partes. Este pensamento me motivou muito
a enfrentar as dificuldades.
Depois de dois anos fiz
os estudos humanísticos em Cheshire, Estados Unidos. Cheguei com um
grande entusiasmo para aprender inglês. Ao terminar estes dois anos
comecei a estudar filosofia em
Nova York (Estados Unidos). Gostei muito da cultura americana.
Fiz o período de práticas apostólicas no Brasil no trabalho
vocacional em São Paulo,
Curitiba e Paraná. Em 2004 fui para Roma para fazer
filosofia. Tive dificuldades ao retomar os estudos. Mas, tinha a
certeza e a confiança de que Deus sabia melhor quais
eram os caminhos que me guiaria até o sacerdócio. Colaborei
um ano na administração da casa. Depois, enquanto estudava teologia
ajudei os clubes juvenis durante três anos.
Os momentos
de crises sempre nos ajudam a crescer e a purificar
nossa alma. Foi na meditação da beleza e santidade do
sacerdócio que experimentei o último agito antes da ordenação diaconal.
Sentia-me muito indigno, fraco ante tanta santidade e
me espantava a contemplação de um futuro em que eu
pudesse falhar para Deus. As tentações vinham por todas as
partes. Mas, com a certeza de que Deus permitia isso
para obter um bem maior: a convicção de que na
verdade sou fraco e indigno para um dom sublime é
o sacerdócio de Cristo, não é menos verdade que Jesus
Cristo me chamou por puro amor tal e como sou.
Porque o que importa é a resposta de amor que
damos a Deus.
PE. OLAF OCEGUERA GONZÁLEZ nasceu no dia 16 de março de 1979
em Tamazula, Jalisco (México). É o terceiro de cinco irmãos.
Em julho de 1990 entrou para o seminário menor dos
legionários de Cristo na Cidade do México onde estudou durante
cinco anos. Entrou para o noviciado de Monterrey, N.L. (México).
No dia 15 de
agosto de 1997 emitiu sua profissão religiosa. Fez dois
anos de estudos humanísticos em Cheshire (Estados Unidos) e dois
anos de filosofia em Nova
York de 1999 a
2001. Realizou as práticas apostólicas em Curitiba, Brasil. Desde 2004
está em Roma fazendo filosofia e bacharelado em teologia. Foi ordenado diácono em 30 de junho de 2009 no centro de estudos superiores de Roma. Atualmente trabalha
na pastoral juvenil na cidade de Roma.