Apresentamos a seguir a intervenção do Papa neste domingo, ao
introduzir a oração do Angelus com os peregrinos reunidos na
Praça de São Pedro.
* * * Queridos irmãos
e irmãs!
O itinerário quaresmal que estamos vivendo é
um tempo de graça particular, durante o qual podemos experimentar
o dom da benevolência do Senhor para conosco. A liturgia
deste domingo, chamado ‘Laetare’, convida-nos à alegria, à plenitude, tal
e como proclama a antífona da entrada da celebração eucarística:
“Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que
estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de
suas consolações!” (cf. Is 66, 10-11).
Qual é a
razão profunda desta alegria? Diz-nos o Evangelho de hoje, em
que Jesus cura um homem cego de nascimento. A pergunta
que o Senhor Jesus dirige àquele que havia sido cego
constitui o cume do relato: “Tu crês no Filho do
Homem?” (Jo 9, 35). Aquele homem reconhece o sinal realizado
por Jesus, e passa da luz dos olhos à luz
da fé: “Eu creio, Senhor!” (Jo 9, 38). Há que
ressaltar como uma pessoa simples e sincera, de forma gradual,
realiza um caminho de fé: em um primeiro momento, encontra-se
com Jesus como um “homem” entre os demais, depois o
considera um “profeta”, finalmente, seus olhos se abrem e o
proclama “Senhor”. Em oposição à fé do cego curado está
o endurecimento do coração dos fariseus, que não querem aceitar
o milagre, porque rejeitam acolher Jesus como o Messias. A
multidão, em contrapartida, detém-se a discutir sobre o fato e
permanece distante e indiferente. Os próprios pais do cego são
vencidos pelo medo do julgamento dos demais.
E nós,
que atitude assumimos frente a Jesus? Também nós, por causa
do pecado de Adão, nascemos “cegos”, mas frente à fonte
batismal fomos iluminados pela graça de Cristo. O pecado tinha
ferido a humanidade, destinando-a à escuridão da morte, mas em
Cristo resplandece a novidade da vida e a meta à
qual fomos chamados. N’Ele, revigorados pelo Espírito Santo, recebemos a
força para vencer o mal e realizar o bem. De
fato, a vida cristã é uma configuração contínua a Cristo,
imagem do homem novo, para chegar à plena comunhão com
Deus. O Senhor Jesus é “a luz do mundo” (Jo
8, 12), porque n’Ele “resplandece o conhecimento da glória de
Deus” (2 Cor 4, 6), que continua revelando na complexa
trama da história qual é o sentido da existência humana.
No rito do Batismo, a entrega da vela, acesa no
grande círio pascal símbolo de Cristo Ressuscitado, é um sinal
que ajuda a captar o que acontece no Sacramento. Quando
nossa vida se deixa iluminar pelo mistério de Cristo, experimenta
a alegria de ser libertada de tudo que ameaça sua
realização plena. Nestes dias que nos preparam para a Páscoa,
reavivemos em nós o dom recebido no Batismo, essa chama
que às vezes corre o risco de ser sufocada. Que
nós a alimentemos com a oração e a caridade com
o próximo.
À Virgem Maria, Mãe da Igreja,
confiamos o caminho quaresmal, para que todos possam encontrar Cristo,
Salvador do mundo.
[Traduzido por ZENIT
©Libreria Editrice Vaticana]