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Encontro com Deus que nos transforma
INTERNACIONAL | REGNUM CHRISTI | ESPIRITUALIDADE
Carta do Pe. Álvaro Corcuera, LC com motivo da festa de Cristo Rei 2011.

Cristo Rey

O Pe. Álvaro Corcuera, LC, diretor geral dos Legionários de Cristo e do Regnum Christi, envia esta carta para aos membros e amigos do Movimento refletindo sobre a festa de Cristo Rei, que também é o "Dia do Regnum Christi".

Para ter a versão em pdf clique aqui.

*****

Roma, 20 de novembro de 2011

A todos os membros e amigos do Regnum Christi

em ocasião da solenidade de Cristo Rei

Muito estimados em Jesus Cristo:

É sempre um prazer dirigir-me a vocês, queridos membros e irmãos do Regnum Christi, sobretudo para agradecer-lhes o testemunho de sua entrega generosa, suas orações e tantas demonstrações de apoio. Este dia, tão querido por toda a Igreja e a família do Movimento, me oferece a oportunidade de compartilhar com vocês algumas reflexões que possam nos ajudar a continuar vivendo nossa vocação cristã e de apóstolos, como Deus espera de nós.

Sabemos que o Movimento é uma obra do coração de Cristo. Ele é quem nos convidou pessoalmente para sermos testemunhos do seu amor e estender seu Reino entre nossos irmãos. Hoje fixamos nele nosso olhar agradecido por todas suas bênçãos, por todo bem que faz através de cada um de vocês. Como nos estimula e consola contemplar Cristo, verdadeiro Rei universal, cujo imenso amor sempre é mais forte que todas as formas de mal no mundo. Como aos primeiros discípulos, nos garante a sua presença real no meio de nós até o final dos tempos. Ele é, realmente, a culminação de nossas aspirações, quem revela plenamente a dignidade de cada homem aos olhos de Deus e quem nos garante o triunfo definitivo do seu amor.

O seu reinado é muito diferente
velas
"É ali na união com Deus, onde o Papa encontra luz e força para guiar a Igreja".
dos deste mundo. Cristo se nos apresenta como verdadeiro Rei da paz, manso e humilde de coração. Exerce a sua soberania a partir do trono da Cruz. Com sua humildade nos enche com sua paz e nos pede imitar seu coração, manso e humilde. Fixamos nele nosso olhar para revestirmo-nos com seus mesmos sentimentos, para nos deixar penetrar pelo seu amor para com todos os homens. Queremos aprender com seu exemplo a servir nossos irmãos, como o caminho certo para chegar a reinar com Ele.

Posto que a oração é aquela que nos leva a nos assemelharmos com Cristo cada vez mais, gostaria de refletir com vocês sobre este tema. Nossa vida pessoal é um reflexo do que é nossa oração. O Papa Bento XVI está oferecendo agora uma série de catequese sobre a oração. Apresenta-nos nelas ensinamentos muito valiosos, mas sobre tudo nos abre seu coração, pois é aí, na união com Deus onde encontra a luz e a força para guiar a Igreja. Nós também estamos chamados a fazer da oração não só um meio de crescimento espiritual e de santificação, mas uma necessidade vital, algo sem o qual realmente não poderíamos viver.

1. Encontro com Deus que nos transforma

A oração cristã é, sobretudo, um encontro com Cristo no que contemplamos seu amor por nós. É preciso nosso esforço para nos dispor adequadamente a entrar em sua presença, mas sabemos que o protagonista da oração é Deus e a nós nos corresponde permanecer em uma atitude de escuta e acolhida. Santo Agostinho o expressa com estas lindas palavras: “A oração é o encontro da sede de Deus com a sede do homem. Deus tem sede de que o homem tenha sede Dele” (Sto. Agostinho, De diversis quaestionibus octoginta tribus 64,4).

Este encontro com Cristo, se nós acudimos abertos e bem dispostos, nos transforma no mais profundo do nosso ser. A oração muda nosso modo de ver, de pensar, de sentir. Na oração, Deus nos dá um coração novo, capaz de amar, de perdoar, de se entregar. E isto porque a oração, ao ser um encontro com Cristo, nos permite tocar seu coração e que Ele faça pouco a pouco o nosso como o seu (cf. Mt 11, 29), nos faz conhecer e assumir seus sentimentos (cf. Flp 2,5), mas ao mesmo tempo enxuga nossas lagrimas (cf. Is
Capilla de Adoración por las Vocaciones en el Café de Vocation.com
Estar em contato com o amor apaixonado de Deus nos leva também a viver a autêntica paixão pro Cristo e pela salvação das almas.
25, 8). Essa é a transformação mais misteriosa: onde toca nosso coração, o cura, o libera, o lança, fazendo-o semelhante ao seu.

Neste período especial que estamos vivendo, Deus nos convida a viver muito perto Dele, a deixar que seja Ele quem cure as feridas da alma, quem nos console e nos siga mostrando seu projeto de amor sobre o Movimento e sobre cada um de nós: a santidade. Na cerimônia de canonização que o Papa presidiu faz algumas semanas, o traço que mais destacou dos três novos santos na homilia foi este deixar-se transformar pelo amor de Deus e ser reflexo deste amor para nossos irmãos, até poder dizer como são Paulo: “Não sou eu quem vive, é Cristo quem vive em mim” (Ga 2, 20). Comentava o Santo Padre: “deixaram-se transformar pela caridade divina e conforme ela modelaram sua vida. Em situações distintas e com diversos carismas, amaram o Senhor com todo o coração e o próximo como a si mesmos” (Homilia, 23 de outubro de 2011).

Esta transformação não é principalmente fruto de uma decisão ou esforço pessoal, mas de nossa abertura à graça, na oração e nos sacramentos. Estar em contato com o amor apaixonado de Deus nos leva também a viver a autêntica paixão pro Cristo e pela salvação das almas. Quando oramos, cresce nosso entusiasmo pela missão. Como aconteceu com são Paulo; para ele, pregar Cristo era a ilusão que marcava toda sua vida. O entusiasmo não é um sentimento superficial ou passageiro, mas a atitude profunda e convencida de quem sabe o que traz entre mãos: um tesouro que não podemos guardar para nós mesmos.

2. Humildade e confiança

A humildade é a porta que nos permite entrar na presença de Deus. Sabemos que Deus se compraz nas almas humildes e lhes concede a sua graça. A humildade nos ajuda a viver na verdade e nos libra do amor próprio, principal obstáculo para contemplar a Deus. Quando acudimos com humildade à oração, deixamos que Deus atue em nós e com Ele podemos tudo.

A humildade nos ajuda a colocar nossa confiança em Deus e abandonar em suas mãos nossas inquietudes e dificuldades. Dizia o Papa em uma de suas audiências: “Dirigir-se ao Senhor na oração implica sempre um ato de confiança, com a consciência de se confiar em um Deus que é bom, rico em amor e fidelidade. […] Sob a guia do Senhor devemos estar seguros de que esses são os caminhos justos para nós, que Ele nos guia, está sempre perto e não nos faltará nada” (Audiência, 5 de outubro de 2011).

Assim, a humildade e a confiança são como as chaves que nos permitem entrar nesse dinamismo de contato transformante com o coração de Jesus que é a oração. Diante Dele, cai tudo o que não for Dele e nos libra do
Niño orando.
"A humildade e a confiança são como as chaves que nos permitem entrar nesse dinamismo de contato transformante com o coração de Jesus que é a oração".
perigo do personalismo individualista. Se a humildade é a verdade com a que nos vemos a nós mesmos, a verdade é o que Deus vê em cada um de nós: essa visão autêntica é um fruto da oração porque é a participação dessa visão divina. Mas esta sinceridade não leva ao desalento, porque nos revela que o que se nos pede é confiar, jogar as redes (cf. Mt 5, 5), colocar-nos e colocar os outros em situação de encontro com Jesus (cf. Mc 2, 3-12).

Quando a oração é humilde, também é agradecida. O mesmo Cristo nos dá mostra disso quando se dirige ao seu Pai: “Graças vos dou, Pai, porque Vós sempre me escutais” (Jo 11, 41). “Obrigado Pai, por ter ocultado estas coisas aos sábios y entendidos e as revelou aos simples” (Mt 11, 25). A gratidão nos ajuda a reconhecer a ação de Deus em nossa vida, suas intervenções nos pequenos ou grandes acontecimentos. Para a alma agradecida, não passam despercebidos os dons de Deus, e por isso comunica paz e gozo, mesmo no meio das sombras e provas da vida. A gratidão, deste modo, nos abre à esperança e nos faz sentir mais perto a presença de Deus, “pois na realidade Ele não está longe, você é quem faz que esteja longe. Ama-o e se aproximará de você: ama-o e habitará em você” (Sto. Agostinho, Sermão 21, 3-4).

3. Súplica e intercessão

Com frequência nos aproximamos à oração para apresentar a Deus nossas necessidades ou as de nossos irmãos. Ante uma prova especial, uma situação dolorosa ou ante as dificuldades cotidianas para viver fielmente nossa vocação cristã, sabemos que na oração encontraremos a paz da alma e a luz necessária que ilumine nosso caminho. A verdadeira oração nos ensina a reconhecer o projeto do amor que Deus tem sobre nós em meio dessas situações inesperadas. Essa oração e abertura normalmente não dão uma compreensão intelectual ou um convencimento racional que dê tranqüilidade, mas fazem que emerja experimentalmente uma certeza de fé: Deus escolheu a cruz como meio de Redenção e nos associa, de maneiras muitas vezes misteriosas, a essa dinâmica. Faz-nos ver o sentido do sofrimento, a exemplo de Cristo, que nos amou até o extremo. Contemplar a Cristo crucificado nos deixa sem palavras e nos enche de amor e gratidão.

No Pai Nosso encontramos o modelo para apresentar nossas petições a Deus. Quando acudimos a Ele com pureza de intenção, buscando agradá-lo no cumprimento da sua vontade para estabelecer seu Reino, aprendemos a elevar nosso coração e a pedir como nos convêm. Descobrimos que seus caminhos não são nossos caminhos, e que seus caminhos são muito melhores. Ele conhece melhor que nós as coisas que precisamos: ao apresentá-las com confiança nos dispomos a acolher melhor os dons que Ele, Pai bom, deseja conceder-nos.

Deus se comove quando pedimos pelos outros. Sem dúvida que a melhor ajuda que podemos oferecer a uma pessoa é rezar por ela
Cristo Rey en la cruz.
"Contemplar a Cristo crucificado nos deixa sem palavras e nos enche de amor e gratidão".
para aproximá-la a Deus. O Papa Bento, na preparação para o encontro de Assis, nos recordava que a melhor contribuição do cristianismo para a paz no mundo é a oração. Ante tantas situações que nos desconcertam e nos fazem sofrer porque são contrarias ao plano de Deus, o mais importante é a oração. É aí onde aprendemos a entrar no coração de Deus e ver os problemas com seus olhos. Aprendemos a olhar o mal no mundo com o coração redentor de Cristo, que não veio a julgar nem a condenar, mas a salvar.

4. A oração e a paz

Por outra parte, a oração também permite ao Espírito Santo nos conceder seus frutos, os que são Paulo nos lembra em sua carta aos Gálatas: “Em troca o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio de si” (Ga 5, 22-23). Hoje contemplamos a Cristo Rei do universo, mas, como nos lembrava Bento XVI recentemente, é “um rei manso que reina com humildade e mansidão [...], Ele é rei de paz, graças ao poder de Deus, que é o poder do bem, o poder do amor. É um rei que fará desaparecer os carros e os cavalos de batalha, que quebrará os arcos de guerra; um rei que realiza a paz na cruz, unindo a terra e o céu e construindo uma ponte fraterna entre todos os homens” (Audiência, 26 de outubro de 2011). Esses conflitos e guerras também aninham no interior do coração: ali também –por meio da contemplação e do diálogo contínuo– o Senhor vai colocando paz e confortando. Assim, na medida em que nós mesmos temos paz no coração, seremos “instrumentos de sua paz” para nossos irmãos, como pedia são Francisco de Assis.

Queridos amigos, quis refletir com vocês e repetir temas que certamente já sabem ou vivem, mas que nos fazem ir ao essencial da vida do apóstolo e, por isso, convêm repassar e examinar dentro desse mesmo diálogo com Jesus Cristo. Que Ele mesmo faça frutificar essas idéias em suas almas e continue fazendo do Movimento uma família unida em Cristo, na que nos encha de confiança saber que temos Maria como Mãe, a cuja proteção maternal nos acolhemos.

Contêm sempre com minhas orações por todos vocês. Afetuoso em Cristo e no Movimento,

Pe. Álvaro Corcuera, LC

 

 

 

 


DATA DE PUBLICAÇÃO: 2011-11-19


 
 


 



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