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Carta do Comitê Geral sobre o novo Estatuto do Regnum Christi
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Tradução ao Português

Regnum Christi Brasil
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Segue tradução ao português da carta sobre o novo Estatuto do Regnum Christi do dia 12 de outubro de 2016.


[tradução ao português do original em espanhol]


Venha a nós o Vosso Reino!
 
 
Roma, 12 de outubro de 2016


Às consagradas do Regnum Christi
Aos leigos consagrados do Regnum Christi 
Aos legionários de Cristo
A todos os membros leigos do Movimiento



Muito estimados em Cristo,

Neste dia a Igreja celebra em diferentes países a Santíssima Virgem Maria, com  diversas invocações , que são objeto de expressões íntimas de piedade popular. Sob seu olhar maternal, dirigimo-nos a todos os membros do Regnum Christi para recordar juntos o caminho que percorremos nos últimos anos no processo de redação do Estatuto Geral do Movimento. Além disso, queremos apresentar-lhes os passos que daremos juntos nos próximos meses e recomendar-lhes algumas atitudes para aproveitar este período ante a nossa santificação pessoal e fecundidade do serviço que o Movimento brinda a nossos irmãos e à Igreja.

1.      O caminho percorrido
 
Em novembro e dezembro de 2013, as assembleias gerais das consagradas e dos leigos consagrados, e em janeiro e fevereiro de 2014, o Capítulo geral da Legião de Cristo, expressaram sua consciência de formar parte do Movimento Regnum Christi, de participar de um mesmo carisma e compartilhar uma mesma espiritualidade e missão com fiéis católicos que o vivem segundo sua vocação específica. Via-se nesta complementariedade de vocações uma especial força evangelizadora para o Movimento. Igualmente, o Capítulo Geral reconhecia «o governo próprio dos ramos consagrados como um avanço para a consolidação de todo o Regnum Christi» (CCG 2014, 28).

Em 19 de março de 2014 se constituiu o Comitê diretivo geral do Regnum Christi, destinado «a envolver de maneira conjunta a todos os ramos do Movimento Regnum Christi através da participação e a corresponsabilidade na missão evangelizadora do Movimento» (Ato de governo n.1/2014) e aprovamos o “Esquema para a colaboração na missão” que é um «instrumento provisório que brota da necessidade de atender, em curto prazo, as exigências de coordenação de nossa missão evangelizadora» (Carta do 19 de março de 2014) e que nos guiou e ajudou a aprender a levar o governo comum do Movimento ao longo dos últimos dois anos e meio.

Em 3 de julho de 2014 a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica fez oficial a nomeação do Pe. Gianfranco Ghirlanda, S.J. como assistente pontifício, com uma função especial de nos ajudar com seu conselho e apoio a encontrar «uma formulação canônica adequada para […] o Regnum Christi e uma relação adequada entre as distintas vocações que o compõem» (Carta do diretor geral aos legionários de Cristo, 3 de julho de 2014).

Em 2 de outubro de 2014 deu início formalmente o processo de elaboração do Estatuto geral do Regnum Christi  para que oferecesse uma descrição do carisma e da espiritualidade, assim como «a estrutura jurídica mais adequada para fomentar a comunhão na missão» (Carta do diretor geral aos membros de 1o e 2o graus do Regnum Christi, 2 de outubro de 2014). A primeira etapa procurava que os membros leigos de primeiro e segundo grau pudessem expressar seu modo de viver o carisma do Regnum Christi de maneira análoga a como o tinham feito as assembleias gerais e o Capítulo Geral. 

Este processo, em que se convidou a todos os membros a participar, teve como um marco importante a celebração das convenções territoriais durante os primeiros meses deste ano. Nelas também participaram alguns legionários e membros consagrados que podiam contribuir com sua experiência de serviço e impulso ao Movimento ao longo dos anos. As convenções territoriais escolheram alguns delegados para a Convenção internacional de membros leigos que se celebrou em Roma em torno da solenidade do Sagrado Coração e a conclusão do ano jubilar pelos 75 anos da fundação.

A primeira etapa concluiu com a celebração da convenção internacional em Roma. Em 4 de junho se compartilharam as conclusões mais relevantes dos membros leigos do Regnum Christi através de uma carta do diretor geral. Entre as mais sobressalentes, ratificaram-se alguns elementos essenciais da identidade do membro do Regnum Christi, ou seja, a vida espiritual como o desenvolvimento progressivo da vida divina nele que o leva à configuração com Cristo; a formação integral; o apostolado como resposta à chamada interior a evangelizar; o acompanhamento pessoal; e a vida de equipe. Os membros leigos descartaram constituir uma pessoa jurídica própria e optaram por vincular-se pessoalmente ao Regnum Christi e não a algum de seus ramos consagrados. Como portadores do carisma do Movimento, manifestaram sua vontade de participar ativa e responsavelmente nos órgãos comuns de governo do Movimento Regnum Christi nos distintos níveis e, particularmente, naquelas decisões que afetem seu estilo de vida. 
De 28 de junho a 1 de julho tivemos em Roma a 2ª Reunião plenária do Regnum Christi em que participamos os membros dos governos gerais dos ramos consagrados e alguns membros leigos. Nela, como referiu o Diretor geral em sua carta de 2 de julho, consideraram-se novamente as contribuições do Capítulo Geral e as assembleias gerais, acrescentando as contribuições da Convenção internacional dos leigos. Ajudou-nos conhecer a experiência de outras realidades eclesiásticas que compartilham conosco a realidade de ter um mesmo carisma que se vive por vários estilos de vida, sobretudo quanto a sua configuração canônica atual, o caminho percorrido para chegar a ela e quanto a sua vida prática em face da missão.

 A Comissão central nos apresentou alguns critérios de redação para a elaboração do Estatuto Geral e estes foram validados.  Também foram apresentadas diferentes opções de configuração que o Direito Canônico vigente oferece, para valorizar as vantagens e desvantagens de cada um, procurar entender o que cada um implica e assim estar em condições de optar de maneira informada por aqueles que melhor expressem, preservem, custodiem e promovam o carisma do Movimento. Ao refletir sobre as distintas opções de governo e de administração, preponderou a busca do que mais pode fomentar a comunhão e a colaboração na missão, a participação e responsabilidade de todos pelo carisma, assim como a autonomia para a vida interna da Legião, os leigos consagrados e as consagradas. Estas considerações estavam sempre por cima de questões meramente organizativas.

No mês de setembro, tivemos em Roma a Assembleia dos diretores territoriais em que quisemos oferecer-lhes a possibilidade de fazer, de maneira concentrada, a experiência tida na 2ª reunião plenária do Regnum Christi e receber seu feedback. Juntos refletimos sobre a identidade e missão que o Senhor nos deu como dom para o bem da Igreja, e como levá-la aos Estatutos Gerais, que têm que «defender com maior fidelidade a vocação e a identidade» do Movimento, que contenham «as normas fundamentais sobre o governo […], a disciplina […], a incorporação e formação dos [membros]» (c. 587). 

Dado que este processo não parte de considerações meramente teóricas, mas sim de uma história vivida, Salvatore Bonventre, do Arquivo Histórico General, apresentou-nos um estudo das fontes sobre a evolução e as modalidades de relação entre a Legião de Cristo e o Movimento com o passar do tempo. 
 
Também se validaram com os diretores territoriais os critérios para a redação propostos pela Reunião plenária. Dedicou-se um tempo ao estudo e discussão de modelos de administração e de governo do Movimento, assim como as opções canônicas possíveis, coincidindo que é um tema que ainda requer oração, reflexão e análise. 

Entre as opções que o direito vigente nos oferece, não se tomou uma decisão a respeito, pois isso corresponderá à Assembleia Geral do Regnum Christi e ao Capítulo geral extraordinário da Legião e Assembleias gerais extraordinárias dos membros consagrados que a precedam.  Entretanto, a que do ponto de vista jurídico parece refletir melhor o recolhido ao longo deste caminho de renovação, nossa história e a aprendizagem dos últimos dois anos e meio é que o Movimento Regnum Christi seja uma federação composta pelos três ramos consagrados, a que se vinculam diretamente como pessoas individuais os membros leigos. 

Esta figura canônica parece ser a que melhor garante tanto a unidade do Movimento e sua eficácia apostólica graças a órgãos comuns de governo nos que todos podem participar, como a legítima autonomia na vida interna da Legião, das consagradas e dos leigos consagrados. Igualmente, este esquema permite que cada um dos ramos conte com um patrimônio próprio que permita a cada uma obter seus próprios fins, tal e como se refletem nas Constituições e Estatutos.

 Os diretores gerais e nossos conselhos somos conscientes de que, como costuma ocorrer ante uma novidade, alguém poderia sentir certa inquietação ou reserva pela idéia de que o Regnum Christi se configure canonicamente como uma federação. Consideramos que antes de saltar a conclusões que possam roubar a paz, façamos todos o esforço por nos informar adequadamente do que isto entranha e o que não, de maneira que as perguntas e inquietações estejam bem informadas. Quando se apresente o esboço, se apresentarão os motivos detrás das propostas que pareçam melhores. 


Fica claro que ainda está por estudar-se o alcance e as características de uma eventual federação, de definir o que é comum e o que é próprio de cada ramo, assim como a configuração e competências dos órgãos de governo. Igualmente, a proposta que faça o esboço deverá oferecer o que custodiar e garantir a comunhão que é própria de nosso carisma e missão, e também preservar o adquirido neste caminho de renovação.


2.      O caminho por diante

 Com a conclusão da Convenção internacional dos membros leigos deu-se início à segunda etapa do caminho de elaboração do Estatuto Geral que propôs a Comissão Central. Esta etapa tem como objetivo a redação do esboço do Estatuto que reúna as convicções recolhidas até agora e com os critérios que acabamos de expor. 

É inegável que o processo de elaboração do esboço e a experiência adquirida no governo do Movimento e de cada um dos ramos consagrados estão estreitamente vinculados. Por este motivo, e seguindo a recomendação dos membros da Comissão Central para a elaboração do Estatuto, e depois de tê-lo consultado com o Comitê diretivo geral do Regnum Christi, o Diretor geral dissolveu a Comissão e transferiu suas funções ao Comitê diretivo geral do Regnum Christi. O esboço, portanto, será elaborado pelo Comitê diretivo geral, com a assessoria do Assistente pontifício, e com a ajuda de uma equipe redatora dirigida pelo Pe. Sylvester Heereman. Quero agradecer publicamente aos membros da Comissão pelo trabalho realizado com qualidade, sincero empenho e responsabilidade neste período.
 
Está previsto que o esboço do Estatuto esteja preparado para ser enviado a todos os membros em maio de 2017. Com este ato se dará início à terceira etapa do processo, que consiste na revisão do esboço por parte dos membros de todos os ramos, que se fará em várias modalidades. 

Em primeiro lugar, os membros o estudarão individualmente, ou por grupos pequenos, equipes e comunidades, ou em suas localidades para conhecê-lo e refletir sobre ele. Em um segundo momento se terão assembleias territoriais do Regnum Christi entre os meses de setembro e novembro de 2017. Nelas participarão com voz e voto legionários, consagradas, leigos consagrados e não consagrados, embora ainda esteja por redigir o regulamento que dará indicações mais precisas. O terceiro momento terá lugar em abril de 2018, sob a forma de uma Assembleia geral do Regnum Christi, com a participação de representantes de todos os estilos de vida que conformam o Movimento, que terá a missão de revisar e aprovar os Estatutos Gerais e apresentá-los à Santa Sé para sua aprovação.
Está previsto também que imediatamente antes da Assembleia Geral do Regnum Christi, os legionários celebrem um Capítulo Geral extraordinário e que os leigos consagrados e as consagradas realizem suas respectivas assembleias gerais extraordinárias. Estas atividades serão convocadas pelos diretores gerais de cada um dos ramos conforme o direito próprio. No caso dos legionários e das consagradas, isto pressupõe a celebração de assembleias territoriais prévias. Assim, todos os legionários e membros consagrados poderão expressar seu parecer sobre o esboço de Estatuto através de seus representantes no órgão que é a máxima autoridade da Congregação e das associações de membros consagrados.


3. Como viver este período

Como podem constatar, os anos 2017 e 2018 serão intensos e de muito trabalho de preparação para as assembleias territoriais e a Assembleia geral. É por isso que queremos lhes oferecer algumas recomendações de maneira que o aproveitemos como o momento de graça que é, sem cair na armadilha de nos perder em elementos meramente práticos.

Em primeiro lugar, animamos a todos a viver este processo com uma atitude contemplativa e evangelizadora. Precisamos atuar nossa fé no que o Senhor nos pediu através da Igreja e dos sinais dos tempos, para descobrir aí as expressões de seu amor. Somente se virmos desde essa luz sobrenatural o dom que recebemos poderemos nos dispor a ser instrumentos pelos que possamos ajudar a que o carisma do Regnum Christi se encarne no hoje da história da salvação. É da fé que este processo pode ser uma ocasião para nos renovar interiormente e renovar o entusiasmo pela missão que o Senhor nos confia.

Em segundo lugar, convidamos a todos e cada um a cultivar um olhar maduro, que transcenda pontos de vista pessoais. Trata-se de nos abrir, por assim dizer, à catolicidade do Movimento, chamado a fazer-se realidade em contextos culturais e circunstâncias históricas distintas. Isto implica uma boa dose de desprendimento e confiança no Senhor, como também de um sentido sobrenatural, que é um dom de Deus, para detectar aquilo que é verdadeiramente essencial à identidade e missão do Regnum Christi e poder descrever melhor o carisma, a espiritualidade, estilo de vida e missão do Movimento. 

Provavelmente não haja uma solução perfeita para a formulação do carisma e a espiritualidade do Movimento, pois ao tratar-se de uma realidade sobrenatural a linguagem sempre é limitada, e tampouco no que diz respeito à nossa configuração canônica. Tampouco parece realista pretender que satisfaça a todos por completo. Entretanto, é importante que em lugar de procurar porquê não vai funcionar, perguntemo-nos o que é o que fará o Movimento funcionar dentro do que é possível neste momento. É compreensível, e até são, que possam dar-se algumas objeções ao que o esboço proponha. Convidamos a todos a procurar informar-se e compreender o que se está propondo, reconhecendo o já adquirido no processo de renovação e acompanhando as propostas com alternativas de solução.

Em terceiro lugar, pedimos a todos que sigamos acompanhando este processo com nossa oração e com a vivência concreta de nosso carisma, fomentando o intercâmbio de confiança entre todos e, sobretudo, a experiência que nasce de entregar-se à missão e ao serviço dos outros. Tomara que este processo sirva a todos para redescobrir a beleza de nossa vocação e missão. Podemos aproveitar para semear no profundo de nosso coração e assim desfrutar da alegria de um trabalho em conjunto que manifeste cada dia melhor a comunhão que brota de nossa comum vocação. Se crescermos na valoração e entendimento do que cada vocação contribui ao Movimento, e da unidade em nossa diversidade, nosso mesmo modo de viver poderá ajudar a muitas outras pessoas a encontrar-se com o Jesus Cristo e converter-se em seus apóstolos.

Finalmente, queremos convidar a todos a tomar o tempo para ler e estudar com calma, e inclusive levar à oração, os documentos  que vão marcando o caminho iniciado do final do Capítulo Geral Extraordinário e as assembleias gerais dos membros consagrados. Que desde seu conhecimento e vivência possamos todos ser esses profetas do Novo Testamento que sabem descobrir a voz do Senhor e assinalar, como João Batista, sua presença viva entre nós. 


Trata-se de um período de esperança, que queremos percorrer guiados pela mão de Nossa Senhora. Que Ela seja quem nos alcance de seu Filho o dom do Espírito Santo para que possamos pôr por obra tudo o que Jesus queira nos dizer.

Com uma lembrança em nossas orações,

[assinam]
Pe. Eduardo Robles-Gil, L.C.
Gloria Rodríguez
Jorge López








DATA DE PUBLICAÇÃO: 2016-11-14


 
 


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