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Hacer el bien donde me toque estar (Artigo)
Esquema para a colaboração na missão dos distintos ramos do Regnum Christi (Artigo)

Se Deus permite a crise, é para tornar-nos mais fortes
ITALIA | REGNUM CHRISTI | NOTÍCIAS
Entrevista ao P. Sylvester Heereman, L.C.

P. Sylverster L.C.

Fonte: "El Pensador" No. 4 Jul-Sep 2013

A  revista "El Pensador", no seu número 4, publicou uma entrevista com o  Pe. Sylvester Heereman, L.C. que reproduzimos a continuação:

***

Diretor (El Pensador).— Sempre lembrará do dia de Pentecostes deste ano como um dos momentos mais emocionantes da sua vida. Neste dia recebeu, bem cedo, um aviso do Vaticano anunciando-lhe que à tarde ia  poder cumprimentar o Papa, juntamente aos outros dirigentes de outros Movimentos. “Passei o dia muito feliz, mas pensando no que diria ao Papa quando o visse”, confessa com um ponto de brilho nos olhos. O que não soube adivinhar é que com as últimas palavras, quando lhe agradecia em nome do Movimento o calor amoroso da Mãe Igreja nos momentos duros, lhe faria quebrar a voz pela emoção contida. Francisco lhe tomou firmemente o braço e lhe disse: “Adiante, não fraqueje”. 

O padre tem um sorriso fácil e um olhar profundo. Mas talvez a maior característica de sua personalidade seja a determinação, uma característica que contrasta com a sua surpreendente juventude. Como bom alemão (ele é de Renania), em sua mente tem ideias perfeitamente estruturadas e hierarquizadas. O que não é pouco tendo em conta as circunstâncias que lhe tem tocado viver como responsável máximo do  Regnum Christi e dos Legionários de Cristo desde o momento que um câncer cerebral afastara o  padre Álvaro Corcuera das suas funções. Ele fala  revestido de uma autoridade moral que se faz mais autêntica na medida em que brota da humildade de quem se sente servidor, de quem cumpre ao dar-se aos demais. É a auctoritas (-- paulina, poderia dizer  Holzner) que não emana do cargo, mas da caridade.

Dentro de poucos meses, durante a primeira metade do próximo ano, o Movimento que dirige enfrentará um momento histórico decisivo dentro do meticuloso processo de “redescobrimento do carisma e purificação” ao que fora convocado paternalmente por Bento XVI, e cujas linhas de trabalho recentemente tem sido confirmadas pelo novo Papa.  Então, nos primeiros meses do ano novo, se celebrarão o Capítulo Geral da Legião e as Assembleias do Regnum Christi, com a missão máxima de revisar as constituições e regulamentos que regem esta grande família espiritual. O Movimento leva anos preparando-se laboriosamente para isso, contando com o envolvimento direto de todos os seus membros e baixo a douta guia do Cardeal De Paolis. Sobre isso conversamos com o padre Sylvester.

EP: Bento XVI pediu ao Movimento Regnum Christi, aos Legionários, aos consagrados,  às consagradas e aos leigos que formam parte desta grande família espiritual, que iniciassem um processo que busque “redescobrir” o carisma recebido.  Alguns, desde fora, confundiram os termos e pensam que redescobrir significa refazer. Re-descobrir é voltar a descobrir, voltar às raízes. Qual é a raiz do  Regnum Christi?

P. Sylvester Heereman, LC: Evidentemente a raiz é Jesus Cristo e a mensagem de Jesus Cristo, mas  desde o ponto de vista de Cristo que anuncia, prega e instaura o Reino de Deus. Por isso nos chamamos Regnum Christi! Quando os evangelistas sintetizam a mensagem de Cristo aparece uma e outra vez o Reino de Deus. Esta ideia às vezes hoje em dia nos custa entendê-la, porque é muito forte. Efetivamente é a base da nossa fé que tratamos de viver, esse aspecto de que Deus é Senhor. Cremos que Deus é Amor e cremos também que seu Amor é onipotente, que tem a última palavra e reina por acima de tudo que não é amor. 

EP: O Sr. fala do mistério do Reino de Deus, mas em quê sentido “Reino de Deus”?

P. Sylvester Heereman, LC: O Reino de Deus se manifesta na Cruz, na derrota de Cristo que ao mesmo tempo é a vitória do Amor sobre o mal, sobre a morte, sobre o pecado. E é precisamente por essa vitória de Deus que não nos escraviza, mas que pelo contrário nos libera. Leva ao homem à identidade de “filho de Deus”, lhe leva à liberdade e lhe leva a viver o Amor. Então, essa ideia de que existe uma realidade que Jesus Cristo encarnado instaurou, que já está mas que ao mesmo tempo ainda não, que começou mas que deve chegar à plenitude e que vive nos corações, e desde os corações nas relações, e que pelas relações deveria transformar a sociedade, esse aspecto da mensagem e da vida de Cristo podemos dizer que é a raiz e o coração do carisma do Regnum Christi. Sempre entendido, desde Deus-Amor. Porque o Reino de Deus não é opressão, não é um reino que se impõe, mas sim tem esse chamado a “reinar”. 

EP: Falamos das raízes. Mas por outro lado, temos um Movimento que experimentou a dolorosa experiência com o seu fundador histórico. Este processo de “redescobrir” o carisma permite pensar numa espécie de cofundação de todos os membros do Regnum Christ? Quero dizer: não estamos ante uma “singularidade” do Movimento em relação ao restante dos movimentos eclesiais que nutrem a Igreja?

P. Sylvester Heereman, LC: Se a pergunta vai na linha da relação que existe entre a recepção do carisma com o fundador histórico, acho que seria precipitado dar agora mesmo uma resposta definitiva. Sem dúvida, a recepção do carisma é um grande presente. E também é inegável que o fundador histórico foi instrumento nisso. Então, há muita tarefa por diante, nos levará decênios, onde o Espírito Santo nos tem que ensinar a discernir qual é a mensagem que há justo nesta relação. Recebemos um carisma por meio deste pai em concreto, que ao mesmo tempo foi um pai pecador, um pai que nos traiu de alguma maneira mas que, ao mesmo tempo, não podemos negar, é o pai, não? Esta é a questão. Logo portanto, entender isso, vivê-lo com serenidade, sem falsos misticismos, mas com objetividade e ao mesmo tempo com atenção ao que pudesse ser a mensagem de Deus, é uma tarefa que somente começamos. Por outro lado, não somos os únicos que estão nesta situação: recentemente temos notícia de vários movimentos que vivem situações análogas, o qual reforça minha intuição de que deve haver algo mais aí. (Nota do entrevistador: as cursivas indicam um ênfase especial no tom).

EP: E qual é essa mensagem de Deus que vislumbra? 

P. Sylvester Heereman, LC: Esse fato de ter um carisma transmitido por meio de um fundador santo, ao menos não canonizável e com fatos objetivamente reprováveis, tem a mensagem da força de Deus. Apesar dos instrumentos, leva implícita uma mensagem da Misericórdia de Deus que nos pede perdoar também ao fundador histórico e a saber conviver com o pecador. Não querer cancelá-lo simplesmente. Uma mensagem, também, de misericórdia e compaixão com quem tem sofrido, para acompanhá-los num caminho de cura e reconciliação. E também uma mensagem sobre o  quê significa num mundo como o de hoje em dia a relação com um pai decaído. Quantas crianças não vivem nesta mesma situação...! E outro aspecto, que alguém me comentou, é que ao ser conscientes da debilidade do pai, se recalca, a maternidade da Igreja. Isto é algo que estamos vivendo em primeira pessoa: a Mãe Igreja que acolhe, discerne, sustenta...e que levanta ao filho.

EP: Se lhe parece, podemos passar do carisma à missão. À que missão se sentem chamados os membros do  Regnum Christi?

P. Sylvester Heereman, LC: É justamente prolongar este impulso de Deus que começa com a Criação, que se faz muito concreto na Encarnação, que vem de alguma maneira reclamar o que é de Deus, que entra no mundo (é o Evangelho de hoje, o filho que vem à vinha). (N. do E.: a entrevista foi realizada no dia 3 de julho), para redimir e para reclamar este mundo que já não é Reino de Deus porque o que reina é –muitas vezes- o mal, o medo, a escravidão, a morte...Então, a missão do Regnum Christi é assumir isto, querer vivê-lo na própria vida que nos tocou e ajudar aos membros e à quem estão em contato conosco, descobrir a realidade preciosa de que Deus é mais forte que qualquer coisa e que, em qualquer situação e circunstância se trata de descobrir que a força de Deus se revela tantas vezes na Cruz. Isto em nível de espiritualidade. Mais concretamente, em nível de missão apostólica, diria que é formar apóstolos que vivem esta experiência – como Cristo formava apóstolos que levassem adiante sua mensagem e compartissem sua missão – para transformar a sociedade.

EP: É como se fossem dois polos.

P. Sylvester Heereman, LC: Sim. Está   o primeiro, o da pessoa, que deve acolher em liberdade e amor, que também deve ser apoiada, sustentada pela Igreja, pela escuta da Palavra, os sacramentos, pelo Movimento, pela família...Mas estas pessoas estão além disso, chamadas a levar esta mensagem ao mundo. Ao mundo em sentido joânico, ou seja, à todos os que estão chamados a ser filhos de Deus. O Regnum Christi sente muito dentro, muito fortemente, este desejo de não ficar na sacristia. De fazer apostolado porque o mundo...porque todas as almas, as pessoas, tem o direito a ser alcançados e saber o que Deus fez por eles. E daí nascem as nossas universidades, nossas escolas, nosso trabalho em tantos lugares...e também o desejo de trabalhar com sistema, com seriedade, com uma metodologia que nos permite trabalhar com seriedade dentro deste mundo – aceitando as regras deste mundo na medida em que sejam compatíveis com o Evangelho - , porque somos conscientes de que o Reino de Deus está nos corações, mas que desde aí, desde os corações, deve transformar o mundo dos homens.

EP: O Regnum Christi se define a si mesmo como um “Movimento militante de apostolado”. A quê faz referência o adjetivo “militante”?

P. Sylvester Heereman, LC: Isto me faz lembrar umas palavras que dirigiu o Papa Paulo XVI aos legionários em 1974 em que lhes dizia que não eram pessoas inertes que estão somente observando  como vão as coisas, mas que querem imprimir nas coisas uma força e dar ao cristianismo uma expressão que lhe é própria: a militância. E os convidava a combater e defender a fé, a conquistar e chamar a outros irmãos à fé e à comunhão com o Senhor. Esta expressão poder ter imediatamente um eco negativo para ouvidos alemães, mas eu sempre percebi como um desejo de acolher e corresponder ao convite de Cristo que me propõe compartilhar seu mesmo estilo de vida e missão e assim estender o seu Reino. Para mim a militância é entrega da própria vida por amor; é a resposta do coração de Cristo ante o contraste tão forte entre a realidade do Reino de Deus-Amor e tantas realidades e situações onde não reina Ele mas o mal, o medo, a morte. Essas forças que escravizam, que Jesus Cristo venceu em sua paixão e ressurreição.

EP: Outra das características tradicionais do apostolado do Movimento é fazer líderes aos cristãos e cristãos aos líderes. É uma consequência derivada do anseio pelo Reino de Deus e de uma metodologia digamos “eficiente”. Mas...não pode isto ser confundido com elitismo? Onde se encontra a diferença?

P. Sylvester Heereman, LC: Sem dúvidas existe sempre este perigo de reduzir a liderança a um conceito meramente sociológico ou econômico. Mas não é assim. Um líder é qualquer pessoa que pode exercer uma certa influência sobre os demais, e conforme a esse conceito, uma mãe de família, um operário, um professor universitário, todos podem entrar nesta categoria. Além disso, se vemos a história da salvação, vemos que o Senhor procede sempre da mesma maneira: elege à Moisés, que era um refugiado gago e o converte em guia do seu povo; a Davi, que era o último filho de Jessé e pastor de ovelhas, para fazê-lo rei; a Maria, uma jovem de um povoado insignificante; a Pedro, um pescador de Galiléia...Ele elege homens e mulheres e lhes oferece ocasiões e a graça para que possam convidar à outros ao seguimento de Cristo.

EP: Por último, e fazendo um exercício de visão a longo prazo, o sr. acredita que o Regnum Christi sairá mais fortalecido de todo este processo que vem vivendo desde fazem alguns anos?

P. Sylvester Heereman, LC: Sim, isso está claro. Se Deus permitiu essa crise, esta cruz, é para fazer-nos mais fortes. Esse fazer-nos mais fortes, tomara que seja em primeiro lugar no espírito. Mais fortes no amor, na humildade. Mais fortes em estar enraizados em Deus. Mais fortes na comunhão com os demais membros da Igreja. E desde aí, manter e fortalecer também o aspecto militante e o entusiasmo em nível apostólico. Diria que talvez uma das tentações que temos tido, como família, tem sido sublinhar tanto a parte militante, apostólica, ativa, que às vezes nos levou a descuidar o espírito, a prioridade da graça. Tomara, portanto, que este equilíbrio divino, digamos, que é um mistério entre a graça e a ação do homem nos leve a uma mais plena confiança na ação de Deus e ao mesmo tempo, fazer tudo o que está em nossas mãos.






DATA DE PUBLICAÇÃO: 2013-07-20


 
 


 



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