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Cardeal Franc Rodé: «Ser cristão é um dom»
BRASIL | ATUALIDADE | NOTÍCIAS
Homilia do Cardeal no Encontro de Juventude e Familia de Brasil, 14 de dezembro de 2008.

Card. Franc Rodé
«Queridos membros do Movimento Regnum Christi, sejam sempre homens e mulheres alegres que transmitam a Cristo, alegria verdadeira de cada ser humano».

Brasília, 14 de dezembro de 2008. O Prefeito da Congregação vaticana para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, presidiu a missa de encerramento do IV Encontro brasileiro de Juventude e Família realizado em Brasília, nos dias 12, 13 e 14 de dezembro. Na sua homilia na missa de encerramento do evento, promovido pelo Movimento Regnum Christi e pelos Legionários de Cristo, o cardeal Franc Rodé esclareceu a mais de 2 mil pessoas presentes na celebração que “ser cristão não é uma carga, mas um dom, pois Deus Pai nos abençoou em Jesus Cristo seu Filho, Salvador do mundo”.

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Estimado Pe. Álvaro, estimados irmãos sacerdotes, queridos membros do Movimento Regnum Christi, irmãos todos no Senhor:

Estamos concluindo este encontro de Juventude e Família com a celebração da Eucaristia, que hoje nos transmite uma mensagem de alegria. A liturgia é um convite constante a estar alegres. Nas leituras, Isaias, a Santíssima Virgem Maria, São Paulo e São João Batista se complementam para explicar-nos o profundo sentido da alegria cristã, cada um com seus próprios matizes.

Na primeira leitura, Isaias apresenta a alegria do anuncio da Boa nova, que ainda não se realizava, mas era tão segura que já se percebia como presente. A alegria de Isaias é uma alegria que nasce da esperança. É a alegria que se apóia na certeza de que o consolo de Deus para os que sofrem está muito próximo. Isaias anuncia a salvação de Deus, a justiça de Deus, a felicidade que vem do Senhor que salva o ser humano, a cada um, em todas as nações da Terra.

No salmo responsorial, acompanhamos à Santíssima Virgem no canto do Magnificat, sua oração de ação de graças. Rezamos com Ela que apresenta a alegria de quem sabe com plena certeza que Deus é o seu Salvador e que o Onipotente pousou sobre ela seu amoroso olhar, vendo a sua humildade. É a alegria da mulher eleita de Deus que anuncia a misericórdia do Senhor para todos os homens e mulheres, de todos os tempos, de todos os confins. A alegria de Maria é também a alegria
Jornal de Brasília
O “Jornal de Brasília”, em sua edição do 15 de setembro, publicou em sua primeira página a notícia sobre o “IV Encontro de Juventude e Família”, destacando a Missa de Encerramento do Encontro.
da gratidão pela eleição de Deus.

Na segunda leitura, São Paulo se alegra com a fidelidade de Deus. É a alegria de quem se sabe seguro e em paz com a certeza de que Deus age a favor dele, pela sua santificação. É a alegria de quem sabe que nada nem ninguém pode separar-lhe deste amor de Deus expressado em Cristo . São Paulo nos convida à alegria da certeza que se experimenta vivendo na fé do Filho de Deus que nos amou e se entregou a si mesmo por nós humilhando-se por amor até a morte de cruz . A alegria de Paulo se nutre da certeza absoluta na ressurreição de Cristo sem a qual nada tem sentido . Aos homens de hoje Paulo nos oferece uma alegria baseada na convicção de que, em todas as coisas, Deus intervém para o bem dos que o amam; na certeza de saber-nos chamados, justificados e glorificados; e na força de saber que tudo podemos alcançar em Deus .  “Se Deus está conosco quem contra nós?” .

No Evangelho aparece outro mensageiro da alegria: João Batista, que representa a alegria de quem se sabe testemunho da luz. Ele é o precursor de Cristo, que nos convida a viver a alegria de aceitar em nossa vida o Senhor, a fazer a experiência de Cristo, a fazer que Ele cresça em nós; e também a viver em plenitude o grande presente do Batismo, que já não é só com água, mas com a graça, verdadeira participação na vida de Deus .

Eles: Isaias, a Santíssima Virgem Maria, São Paulo e São João Batista são os mensageiros da alegria, mas a alegria verdadeira é Cristo. Só Ele, que agora se fará presente na Eucaristia, é a alegria que não se acaba. A alegria cristã é Cristo. N’Ele se cumprem todas as nossas esperanças, n’Ele está nossa salvação. Por isso, nossa alegria é uma alegria que começa já neste mundo, mas que será completa só quando possuamos a Cristo sem obstáculos, em um amor perfeito e eterno.

Nossa alegria, já desde agora, “se baseia no amor do Pai, na participação no mistério pascoal de Jesus Cristo quem, pelo Espírito Santo, nos faz passar da morte à vida, da tristeza à alegria, do absurdo ao profundo sentido da existência, do desânimo à esperança que não defrauda. Esta alegria não é um sentimento artificialmente provocado nem um estado de ânimo passageiro. O amor do Pai nos foi revelado em Cristo que nos convidou a entrar no seu reino. Ele nos ensinou a orar dizendo Abba, Pai . Conhecer a Jesus Cristo pela fé é nossa alegria; segui-lo é uma graça, e transmitir este tesouro aos demais é um encargo que o Senhor, ao chamar-nos e eleger-nos, nos confiou” .

Por isso, hoje, nesta liturgia, neste encontro com Cristo, experimentamos a alegria de ser discípulos do Senhor e de ter sido enviados ao mundo com o tesouro do Evangelho. Vivemos a experiência de que ser cristão não é uma carga, mas um dom, pois Deus Pai nos abençoou em Jesus Cristo seu Filho, Salvador do mundo. Desejamos vivamente que a alegria que recebemos no encontro com Jesus Cristo, a quem reconhecemos como o Filho de Deus encarnado e redentor, chegue a todos os homens e mulheres feridos pelas adversidades; desejamos que a alegria da boa nova do Reino de Deus, de Jesus Cristo vencedor do pecado e da morte, chegue a todos quantos jazem à borda do caminho, pedindo esmola e compaixão . A alegria do discípulo é antídoto diante de um mundo atemorizado pelo futuro e angustiado pela violência e pelo ódio. A alegria do discípulo não é um sentimento de bem-estar egoísta mas uma certeza que brota da fé, que serena o coração e capacita para anunciar a boa nova do amor de Deus. Conhecer a Jesus é o melhor presente que po-de receber qualquer pessoa; o fato de tê-lo encontrado é o melhor que nos poderia ter acontecido na vida, e dá-lo a conhecer com nossa palavra e nossas obras é a nossa maior alegria .

No mundo, nas dificuldades e nos problemas da vida, nos momentos de dor, os cristãos conservamos sempre esta profunda alegria, esta paz interior que dá a união íntima com Deus, com o seu amor. Nessa relação profunda com o Senhor encontramos sossego na confusão, consolo na dor, força para viver nossos compromissos e motivação para avançar no caminho da santidade. O amor de Deus, descoberto na oração, fortalecido e alimentado pelos sacramentos, vivido na caridade, é o manancial da nossa alegria interior.

Assim, a evangelização e o apostolado se convertem em uma alegria compartida. “Conservemos, pois, o fervor espiritual. Conservemos a doce e confortadora alegria de evangelizar, inclusive quando temos que semear entre lágrimas. Façamos -como João Batista, como Pedro e Paulo, como os outros Apóstolos, como essa multidão de admiráveis evangelizadores que se  sucederam ao largo da história da Igreja- com um ímpeto interior que nada nem ninguém era capaz de extinguir. Que essa seja a maior alegria de nossas vidas entregues. E tomara que o mundo atual -que busca às vezes com angustia, às vezes com esperança- possa receber assim a Boa nova, não através de evangelizadores tristes e desanimados, impacientes ou ansiosos, mas através de ministros do Evangelho, cuja vida irradia o fervor dos que receberam, antes tudo em si mesmos, a alegria de Cristo, e aceitam consagrar a sua vida ao serviço de anunciar o reino de Deus e de implantar a Igreja no mundo” .

Queridos membros do Movimento Regnum Christi, sejam sempre homens e mulheres alegres que transmitam a Cristo, alegria verdadeira de cada ser humano. Que nada nem ninguém os tire essa alegria, que nada nem ninguém os afaste do seu ideal. Para isso, hoje, com a voz de Paulo os exorto a orar constantemente para fortalecer essa união interior com Deus, a dar graças pelos dons que vocês têm recebido: pelo seu carisma do amor, pelo seu ímpeto apostólico, pela sua fidelidade ao Papa e à Igreja, pela sua fé e pela sua esperança. Cultivem e vivam seu carisma para não extinguir o Espírito. Cresçam para que possam anunciar e estender com maior alcance o Reino de Cristo neste mundo. Examinem tudo, fiquem com o bom e abstenham-se de todo mal buscando sempre a santidade. Que o Deus da paz os santifique plenamente, e que todo seu ser, espírito, alma e corpo, se conserve sem mancha até a Vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que os chama e é Ele quem o fará. Também os peço, como Paulo, que orem por nós. Rezem pela Igreja cada dia. Sei que sempre, depois de receber a comunhão, vocês rezam pelo Santo Padre. Não deixem esse costume. Rezem pelo Papa, rezem pelos que colaboramos com ele. A oração de vocês edifica a Igreja e alcança de Deus que o Espírito da verdade seja recebido por muitos irmãos nossos que não o vêm nem o co-nhecem .

Permaneçam sempre perto da Santíssima Virgem. Ela, que se apareceu a Juan Diego, se apresentou como a fonte de sua alegria: “Não estou eu aqui que sou tua mãe?, não estás sob a minha sombra e resguardo?, não sou eu a fonte de tua alegria?, não estás sob meu manto, nos meus braços?” . Vivam cada dia em uma íntima união com Ela de modo que possam escutar estas mesmas palavras no interior do seu coração. Que Ela seja a fonte de sua alegria e o caminho certo até o Pai.

Agora, prossigamos com alegria esta missa numa ação de graças por todos os dons que temos recebido de Deus ao largo deste encontro.

Assim seja.


DATA DE PUBLICAÇÃO: 2008-12-14


 
 


 



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