Autor: Dr. Urban Cicerone de Andrade, Brasil
Sou um oncologista (especialista
em câncer) de Curitiba, uma grande cidade ao sul do
Brasil. Como médico aprendi a trabalhar bem com a ciência
e seus princípios. Por muitas vezes escutei meus professores de
medicina que nossa finalidade era empregar os melhores conhecimentos médicos
em favor dos pacientes, estar em dia e ter um
grande interesse em seguir aprendendo. Isto foi suficiente para conseguir
que fôssemos bons médicos, pois nos motivou a preparar-nos para
reconhecer os sinais e sintomas de cada doença, fazer o
diagnóstico exato e prescrever o melhor tratamento.
Alguns a nos depois,
cheguei a ser, por vocação, oncologista, e assim pude descobrir
algum dos maiores limites desta ciência. A dor, o sofrimento
e a morte me acompanharam com freqüência e por muitos
dias durante a minha vida profissional. Rapidamente aprendi que para
cada paciente, cada família, cada realidade social, tinha algo mais
que entregar, e que, portanto, a ciência por si mesma
não bastava. A medicina então devia consistir, - pensei comigo
mesmo – mais em palavras de esperança que em remédios,
mais em atenção e disponibilidade que em técnica, mais em
presença que em sonhos impossíveis e talvez, realmente, seja mais
uma arte que uma ciência. Na realidade acredito que foi
e é, por vocação, caridade.
Buscava em meu pequeno universo uma
resposta a estas perguntas. Devia fazer algo que me ajudasse
a tomar a decisão correta, precisamente em um dos campos
mais complexos da medicina; um campo aonde a ciência por
si mesma não podia responder a todas estas necessidades nem
tinha a possibilidade de solucionar os dilemas nos quais nos
encontramos muitas vezes. Foi assim como me encontrei na Bioética:
um campo novo que tem como fundamento justamente a união
entre as ciências da vida e a filosofia. É um
novo delineamento e um novo universo, que vê o homem
em sua totalidade. Tudo estava por explorar para um jovem
oncologista como eu.
Comecei a estudar Bioética por mim mesmo, graças
a minha participação em alguns congressos na Itália, pois no
Brasil havia poucas possibilidades e hoje, desgraçadamente, ainda é assim.
Todavia, não conseguia compreender todo o universo da filosofia, da
antropologia, da teologia, do direito, sem os quais não podia
seguir adiante com meus objetivos. Soube que em Roma
os Legionários de Cristo tinham fundado a primeira Faculdade de
Bioética no mundo. Disse-me então: ´Esta é a minha oportunidade
para chegar a um verdadeiro e melhor conhecimento neste campo,
pois se trata de uma Faculdade Católica que tem como
um de seus principais objetivos, a defesa da vida´.
Era precisamente isso o que estava buscando.
Eu vim só. Minha
esposa, também médica, não pôde vir comigo, pois deve acabar
sua especialidade em Radiologia no Brasil este ano antes de
poder vir a Roma. Uma separação física temporal, certamente, mas
não de coração. Há nela um amor infinito e inspirado
por Deus, que soube compreender a grande importância que tem
este projeto para mim.
Em Roma, pois, na Faculdade de Bioética,
encontrei a resposta que buscava. Há aqui uma grande estrutura,
bem organizada, rica em conhecimentos, com pessoas de todas as
nacionalidades como eu, que também começou com um sonho; cada
um com sua história pessoal, com diversos costumes e experiências,
com a família perto ou longe, com diferentes projetos, mas
no fim, encontrando um lugar onde se identifica com outros
com as mesmas inquietudes de vida. Agora juntos nos empenhamos
no mesmo objetivo de criar um mundo melhor, baseado no
valor da vida e na visão integral da pessoa humana.